sábado, 13 de dezembro de 2008

Reportagem



Esta foi uma entrevista dada ao site do iG Jovem, no mes passado:



21/11 - 08:45hs


Muita personalidade


Os diferentes estilos que fazem a cabeça dos jovens


Bruno B. Soraggi


No guarda roupa dele se encontra jaquetas de couro, calça apertada e cintos. No dela, vestidos longos pretos, sobretudos, coturnos e muita maquiagem. Em um terceiro armário, mais distante – mas não menos original –, os cabides sustentam roupas que, pasmem, não são obrigatoriamente rasgadas. O primeiro é do ‘metal’. A segunda diz ser “gótica de nascença”. Já o último é um punk com direito a cabelo moicano. O que esses três armários têm em comum? Carregam muita atitude e personalidade de jovens que escolheram seus estilos e resolveram enfrentar o preconceito.

Victor Otávio Carvalho Marques, 18, é um deles. Logo de cara, porém, esse cabeludo, estudante de Letras deixa claro que não é ‘metaleiro’. “Esse termo é incorreto, foi criado. O mais adequado seria ‘metal’ mesmo”, explica. Ele, que diz ser desse gênero desde os 12 anos e ter um carinho especial pela banda Motorhead, conta que escolheu o estilo porque buscava “algo novo”. “Eu não me adaptava a nenhum estilo, então fui buscar algo que quebrasse os padrões, que saísse da mesmice”, afirma.

Foi por volta dos 12 anos também que Felipe Mamud Oliveira, 18, entrou para o movimento punk. “A partir de uns shows eu fui pesquisando a cena, fui a reuniões e a todos os lugares que eu fui os punks sempre me receberam bem. O punk é anti-racismo, anti-homofobia, anti-fronteiras... Identifiquei-me conforme o tempo”, relata. E também ensina: “falar que punk só usa coisa rasgada é mentira. Dizer que se deve vestir assim é errado porque é conservadorismo, e nós somos anti-conservadorismo”.

A executiva Lia Macedo, por sua vez, conta que o estilo gótico sempre esteve dentro dela. “Eu costumo dizer que isso vem de nascença porque sempre existiu um traço de personalidade em mim que tendia para a melancolia, o soturno. Parece bobeira. Desde criança gostava de ir a lugares antigos e, sei lá, fui me amarrando”, assegura. Mas foi quando ela tinha cerca de 13 anos que isso começou a ficar mais forte. “Eu ia para casas noturnas e sentia uma alegria enorme de estar lá”, lembra. Ela considera o gótico um estilo de vida. “Jamais deixei de usar preto, ler meus livros... Vou morrer gótica”, se vangloria. Elaine deixa claro, porém, que ser gótico não significa ser um suicida em potencial. “Acho que com os anos a coisa foi sofrendo uma distorção. Há muita gente que se diz gótica e tem muito pouco conhecimento sobre essa cultura. Ele (o gótico) não tem é muita perspectiva com relação às mudanças”, explica.

Mas a rotina muitas vezes não é fácil para quem resolveu ser diferente. Todos os três jovens têm histórias de hostilidades praticadas por colegas de faculdade, parentes e até por autoridades. Felipe, o punk, conta que amigos já chegaram a ser ameaçados por policiais. “Desde que você usa moicano levantado tem uma galera de militares e policiais que falam que vão te matar”, alerta. “Tinha gente que me olhava torto que só”, conta Elaine, que já chegou a ser chamada de “alma penada”. Agressões por parte de outros jovens também são comuns no cotidiano de muitos jovens como eles.

E para evitar novos problemas, então, que muitos deles passam a adaptar o estilo ao dia a dia. “Bem que eu gostaria de poder usar roupas de ‘metal’ todos os dias, mas as pessoas não estão acostumadas a ver um homem de calça vermelha e cabelo armado. Mas no fim de semana sempre saio com o visual. É como uma identidade”, diz Victor. Seu cabelo, porém, continua indisfarçável em qualquer dia. Com a gótica é mais ou menos parecido. “Visto sempre preto e roupas escuras. Como executiva, uso ternos pretos e camisas vermelhas, por exemplo. Nada ‘over’... Só me transformo mesmo na hora de sair”, brinca.

Isso não significa que tenham deixado mudar sua personalidade. Esses jovens, que dizem aceitar pacificamente outros estilos que não os deles, afirmam que o mais importante é você ser feliz consigo mesmo, estar bem resolvido com seu estilo, o que muitas vezes não acontece com indivíduos que resolvem se integrar a determinadas ‘tribos’ apenas por modismo. Eles próprios, aliás, servem de exemplo para mostrar que, desde que tudo seja verdadeiro, o resto passa.

“No final dos meus estudos de Administração fui excluída do meu grupo de trabalho de conclusão de curso porque eles me achavam estranha. Superei. Aconteceu que o trabalho do outro grupo que me aceitou foi o melhor do ano e ganhou prêmios de honra”, lembra Elaine. “Isso faz parte de ser gótico, creio eu”, termina referindo-se à qualidade de não se abalar com situações adversas. Foi o que fez também o Victor do ‘metal’. “Foi bem difícil achar uma mulher que entendesse o significado disso tudo”, lamenta. Três meses atrás, porém, ele achou motivo para mais otimismo. “É muito melhor ter alguém do meu lado que entenda isso que eu vivo”, completa.


quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Vamos de novo



Eu estou começando este blog por aqui, numa tentativa de me expressar sem problemas. Eu possuía outro blog, mas tive que mudar. Sei que quando se tem um blog, você corre o risco de ter por perto malucos que ficam te perseguindo em tudo o que diz ou o que faz. Mas... Quando a coisa passa dos limites, o melhor que temos a fazer é simplesmente mudar... Não adianta discutir e tentar se justificar pelo o que você não fez. Você pode até tentar uma vez, duas, mas depois disso, a coisa passa a ser maçante e ridícula. Tive a oportunidade neste ano, de passar por situações similares a esta muitas vezes. A gente tem mania de tentar ver no outro a culpa disso tudo acontecer. Na verdade, depois de ontem, passo a pensar que a culpa é minha, que insisto em não ligar muito para determinados padrões. Enfim...

Para você que está chegando e lendo este blog, bem vindo. A função de um blog, pelo que creio, é de postarmos opiniões e opiniões não precisam ser unânimes, apenas consideradas por quem quiser considerá-las ou respeitadas por aqueles que não quiserem... é isso. Esta é a primeira postagem efetiva. As anteriores foram importadas do antigo Blog. Espero que esta nova fase seja bem mais proveitosa!

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Eu quero

Nov 22, '08 12:53 PM
for everyone

Saber o que pensa…

Prever seus instintos

Sentir sua aflição

Tocar sua sensibilidade

E assim ser uma só mente,

Só um pensamento

Irracionalizando

Tudo o que é convencionalmente racional

Tudo o que é imposto

Tudo o que é padrão

Quebrar os possíveis desafios da vergonha

De ser o que somos

E seguir com a absoluta certeza

Do caminho que nos torna singulares.


Publiquei isso em outro Blog...

Depois de uma noite underground chegando em casa pelas seis da manhã e desabando na cama por cinco horas, estou aqui. Coloco Cuts you up do Peter Murphy pra escutar e abro o arquivo do livro que está há dois anos nessa máquina ainda esperançoso de ir para o prelo... Presto mais atenção na música do que no texto... coloco de novo para tocar, levanto o olhar e vejo a Serra da Cantareira, tão verde, tão bonita... Presto atenção na música de novo... se passou uma hora e não escrevi uma linha sequer... Ao invés disso, abri outra página do Word e estou escrevendo esse monte de baboseira sem fim...

Quando isso deixou de ser um prazer e passou a ser uma

obrigação? Aliás, quando comecei a tocar a maior parte da minha vida regida pela obrigação? A gente não percebe... A gente apenas permite... Tem horas que sinto saudade de coisas que e de tempos em que não vivi... Um tempo onde um cara levava anos para completar uma obra... Porque esse era o seu ritmo... Não havia a ameaça da incompetência e da cobrança dos outros: “Quando seu livro vai ficar pronto, Lia?”. O pior é a expectativa gerada nesses mesmos outros, que esperam sempre uma coisa super de você porque é o mínimo que alguém como você pode fazer... Tem horas que tenho uma vontade imensa de apertar o “Del” depois de selecionar o arquivo... Porque hoje, pra mim, tudo que escrevi está um lixo.

Tem uma nuvem engraçada sobre a Serra nesse momento... Acho que vou repetir a música novamente, não antes de levantar e pegar um copo d’água. Linda a luz sobre a Serra... Vou precisar ler pelo menos uns quatro capítulos do que escrevi há uns seis meses para entender, entrar novamente no texto, e tentar assim terminar. Na minha cabeça, faltam uns seis capítulos... Peço para mim mesma que sejam apenas seis... Percebo que estou me cobrando... Ainda não desisti; o arquivo está aberto... Vou tentar, vamos ver no que vai dar... Talvez em outro momento, eu esteja postando aqui sobre o lançamento ou tentando explicar para mim mesma, o motivo de minha desistência. Acho que vou ouvir Peter Murphy de novo...


Aprendi hoje que existe uma enorme diferença entre o discurso e a ação para os humanos. Aprendi hoje que embora todos queiram amigos reais, quando estes surgem, são julgados pela sua devoção. Aprendi hoje que quando alguém está apaixonado, corre sério risco de cometer erros sérios, e não se dá conta disso. Aprendi hoje que o ser humano prefere ouvir mentiras ao invés da verdade, esta por ser muito simples é de difícil compreensão. Aprendi hoje, também, que sempre se escolhe o complexo ao invés da simplicidade. Aprendi hoje que a religião deturpa, cega, nos torna ignorantes e nos afasta de Deus. Aprendi hoje que ninguém gosta de pedir perdão e nem tão pouco se importa com o que Deus acha de tudo isso. Aprendi hoje que esta religiosidade também nos torna hipócritas, muito hipócritas. Aprendi que o lance hoje é proteção. Vamos nos proteger de doenças, de coisas, de pessoas de sentimentos. Aprendi hoje que demosntrar sentimentos é tido como fraqueza. Aprendi hoje que o legal é enganar, é extorquir, é mentir e fazer de conta que não faz isso. Aprendi hoje que se agir assim, será considerado como esperto. Aprendi hoje que a vontade de Deus não está acima de tudo, que sempre podemos adaptá-la à nossa conveniência... Aprendi hoje que o mais importante é o que parecemos ser para os outros e não o que somos para nós mesmos, assim evita-se consertar defeitos... isso dá muito trabalho.

Só não aprendi como fazer tudo isso e ser eu mesma..como não molestar meu âmago com isso tudo. Talvez tenha que aprender a ser mais perseverante, aprender a dizer não para isso tudo, e me manter limpa... ser eu mesma.. mesmo que isso signifique algum ou todo sofrimento.

Também não aprendi hoje, onde chegaremos com tudo isso.