
Está rolando em Brasília e, creio que é do conhecimento de todos, o lance de cotas para negros e pardos, pra uma série de coisas, visando (como eles acreditam) garantir algum o lugar dos negros e pardos em diversos setores econômicos , culturais de saúde e etc...
Me perdoem a ignorância ao tratar desse assunto: não que ache que negros e pardos não mereçam seu lugar ao sol... ainda mais num país formado de gente mestiça. Mas é justamente esse lance de sermos todos mestiços que me assusta agora – temos que definir se somos negros, pardos, perante um órgão público para conseguirmos ter acesso a alguma coisa que deveria por princípio ser para todos em condições iguais.
Como assim?
Esse lance de cotas para a universidade, por exemplo: me assusta um governo pensar em simplesmente dar cotas ao invés de garantir uma educação de base que dê condições para todos disputarem de igual para igual por uma vaga na USP ou qualquer outra universidade de ponta. Eu tive a oportunidade de fazer um curso em uma universidade pública (UNESP), e pude perceber que a universidade engole e regurgita o cara que está lá e não possui base. O curso que fiz (Física) era pouco concorrido e portanto, várias pessoas entravam até o mês de abril, maio na universidade, porque sobravam vagas. Esse cara entrava sem saber o básico de álgebra elementar (tipo raiz de A mais raiz de B é diferente de raiz de A mais B). Aí começava o sofrimento: o cara era rechaçado pelos professores que só admitiam que feras estivessem ali – afinal aquilo era uma universidade pública. A coisa chegava no nível do insuportável até o infeliz resolver abandonar a faculdade. Na minha turma de 40 alunos, no final do primeiro ano chegou ao número de 28 e ao final do curso cerca de 10 pessoas se formaram no tempo mínimo necessário.
Penso que em boa parte das pessoas que terão oportunidade irão lutar como loucos para acompanhar o ritmo. Mas sem base a coisa fica bastante complicada. Enriquecerão as estatísticas de negros e pardos ingressando nas instituições públicas, e se sairão ou não, o governo arranjará uma outra maneira superficial de resolver o assunto.
Para mim isso tudo é tapar o Sol com uma peneira cheia de furos, por sinal. Acredito que um ser humano deseja ter acesso ao que lhe é de direito como uma boa educação, um bom atendimento médico, um bom trabalho simplesmente por fazer parte de um organismo maior que lhe impõe taxas, impostos e já que pagamos tanto, porque não temos aquilo que nos é de direito sem considerar se somos pretos, brancos, gordos, magros, etc?
Declarar no hospital que somos negros para termos uma garantia de atendimento, ao meu ver, viola o direito de qualquer ser humano ser atendido simplesmente porque está mal e precisa de cuidados médicos... é patético.
E o pior está nas entrelinhas de tudo isso: ao começarmos nos definir como negros, brancos, amarelos, verdes enfim, criamos condições para o despertar do ódio daqueles que por um motivo ou outro qualquer se sintam lesados com este estatuto.
O mundo é cheio de diferenças sim, temos obrigação moral de diminuí-las com trabalho e boa vontade. Temos que formar uma sociedade tolerante que aceite as diferenças de cada um, com o objetivo de formar um todo cada vez melhor. Não é taxando as pessoas pelo o que elas parecem ser; mas pelo que elas efetivamente são.
A propósito, sou filha de negro, nascida na periferia de São Paulo e tive acesso a duas boas Universidades do país, não por ter esse perfil social, mas porque decidi mudar meu destino. Não acredito que o governo tenha que ser paternalista com ninguém para alguém vencer. Basta dar aquilo que é obrigação de qualquer governo dar, para que vençamos pelos nossos próprios méritos.
É isso.
Me perdoem a ignorância ao tratar desse assunto: não que ache que negros e pardos não mereçam seu lugar ao sol... ainda mais num país formado de gente mestiça. Mas é justamente esse lance de sermos todos mestiços que me assusta agora – temos que definir se somos negros, pardos, perante um órgão público para conseguirmos ter acesso a alguma coisa que deveria por princípio ser para todos em condições iguais.
Como assim?
Esse lance de cotas para a universidade, por exemplo: me assusta um governo pensar em simplesmente dar cotas ao invés de garantir uma educação de base que dê condições para todos disputarem de igual para igual por uma vaga na USP ou qualquer outra universidade de ponta. Eu tive a oportunidade de fazer um curso em uma universidade pública (UNESP), e pude perceber que a universidade engole e regurgita o cara que está lá e não possui base. O curso que fiz (Física) era pouco concorrido e portanto, várias pessoas entravam até o mês de abril, maio na universidade, porque sobravam vagas. Esse cara entrava sem saber o básico de álgebra elementar (tipo raiz de A mais raiz de B é diferente de raiz de A mais B). Aí começava o sofrimento: o cara era rechaçado pelos professores que só admitiam que feras estivessem ali – afinal aquilo era uma universidade pública. A coisa chegava no nível do insuportável até o infeliz resolver abandonar a faculdade. Na minha turma de 40 alunos, no final do primeiro ano chegou ao número de 28 e ao final do curso cerca de 10 pessoas se formaram no tempo mínimo necessário.
Penso que em boa parte das pessoas que terão oportunidade irão lutar como loucos para acompanhar o ritmo. Mas sem base a coisa fica bastante complicada. Enriquecerão as estatísticas de negros e pardos ingressando nas instituições públicas, e se sairão ou não, o governo arranjará uma outra maneira superficial de resolver o assunto.
Para mim isso tudo é tapar o Sol com uma peneira cheia de furos, por sinal. Acredito que um ser humano deseja ter acesso ao que lhe é de direito como uma boa educação, um bom atendimento médico, um bom trabalho simplesmente por fazer parte de um organismo maior que lhe impõe taxas, impostos e já que pagamos tanto, porque não temos aquilo que nos é de direito sem considerar se somos pretos, brancos, gordos, magros, etc?
Declarar no hospital que somos negros para termos uma garantia de atendimento, ao meu ver, viola o direito de qualquer ser humano ser atendido simplesmente porque está mal e precisa de cuidados médicos... é patético.
E o pior está nas entrelinhas de tudo isso: ao começarmos nos definir como negros, brancos, amarelos, verdes enfim, criamos condições para o despertar do ódio daqueles que por um motivo ou outro qualquer se sintam lesados com este estatuto.
O mundo é cheio de diferenças sim, temos obrigação moral de diminuí-las com trabalho e boa vontade. Temos que formar uma sociedade tolerante que aceite as diferenças de cada um, com o objetivo de formar um todo cada vez melhor. Não é taxando as pessoas pelo o que elas parecem ser; mas pelo que elas efetivamente são.
A propósito, sou filha de negro, nascida na periferia de São Paulo e tive acesso a duas boas Universidades do país, não por ter esse perfil social, mas porque decidi mudar meu destino. Não acredito que o governo tenha que ser paternalista com ninguém para alguém vencer. Basta dar aquilo que é obrigação de qualquer governo dar, para que vençamos pelos nossos próprios méritos.
É isso.

Não há como discordar, as cotas realmente não fazem sentido.
ResponderExcluirSobre o post anterior: voltarei sempre Lia! Seu blog é ótimo.
isso se chama "tapar o sol com a peneira". Não vai resolver o problema.
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