quarta-feira, 1 de julho de 2009

Jacqueline Du Pré


Hoje resolvi fazer justiça a uma coisa que amo de todo o meu coração e até agora, neste blog, não postei uma linha sequer.
Quero falar sobre minha paixão pelo violoncelo, e por uma mulher divina que, na minha opinião, foi quem neste mundo pode explorar ao máximo tudo o que de mais lindo este instrumento pode oferecer - seu nome é Jacqueline du Pré, inglesa com ascendência francesa, que desde muito cedo aceitou o desafio de entender, amar o cello e torná-lo seu parceiro para toda vida.
Desde os cinco anos de idade, sua dedicação foi total, e por volta dos 13, quando finalmente foi ter aulas com um professor profissional, pode mostrar a ele, em menos de uma semana, que conseguia tocar perfeitamente um dos concertos mais exigidos para um cellista (Saint Saens) e de memória!
Seu ouvido era absoluto e pode-se dizer que cello e mulher eram uma coisa só... ao ver meus DVDs, ainda me emociono com a maneira que esta mulher sentia a música e bailava junto ao cello como se toda aquela musicalidade estivesse dentro dela e apenas era possível sair se ela se movimentasse daquela maneira. Não estou tratando aqui dos movimentos técnicos que todo cellista deve fazer, mas a dança, como forma de mostrar ao mundo que ela sentia cada nota de maneira intesa.
Lembro-me que assim que comecei minha jornada em uma orquestra que a diretora musical por várias vezes me repreendeu por me movimentar demais enquanto tocava, que isso não era certo... ela certamente jamais tinha visto a Jackie em ação!
Essa mulher foi um gênio. E, infelizmente, parece que todo gênio está fadado a ter um final muito triste. Com a Jackie não foi diferente: no auge de sua carreira, aos 37 anos aproximadamente, ela descobriu que sofria de esclerose múltipla, e teve que conviver os dez últimos anos de sua vida, perdendo gradativamente, cada um de seus movimentos.
Lembro-me de ver uma entrevista com ela, nove meses antes de seu falecimento que, presa a uma cadeira de rodas e sem movimento nos braços, dizia ao entrevistador que já não conseguia ler, pois tinha dificuldades de assimilar os símbolos da partitura com os seus sons correspondentes. Quanta dor! Fiquei quatro anos afastada do cello e isso soava como a morte para mim! Imagine essa mulher que teve toda uma vida dedicada a este instrumento... sempre choro muito ao rever essa entrevista...
Mas acima de tudo, a imagem clara que vem em minha mente ao ouvir esse nome é dela, mocinha, "detonando" seu Stradivarius 1792, tocando Elgar... concerto que jamais alguém conseguiu superá-la na força, na paixão e na técnica ao tocar. Hoje este instrumento está nas mãos de Yo-yo Ma, cellista digamos "mais conhecido" na atualidade de uma musicalidade doce e quese feminina... (seria a tal da androginia musical?)
Se alguem se interessar em conhecer um pouco mais sobre a vida dessa mulher maravilhosa, podem achar em:

http://www.adorocinema.com/filmes/hilary-e-jackie/hilary-e-jackie.asp - Filme (um tanto exagerado) sobre a relação de Jackie com sua irmã, Hilary

http://www.jacquelinedupre.net/ - Site com tudo sobre a Jackie

http://www.allmovie.com/work/remembering-jacqueline-du-pr-178458 - Documentário sobre a vida de Jackie quando ela ainda estava na ativa.

E por fim, um vídeo do concerto de Elgar. Embora o primeiro movimento seja lindíssimo, é no segundo que ela mostra uma técnica surpreendente! Desculpem, mas me empolgo quando falo dessa mulher:






Um comentário:

  1. Que história triste. Ir perdendo seus movimentos e não mais poder se expressar pelo que se dedicou a vida toda. Será algum carma??
    Eu adoro arte e é lindo poder ver o talento de algumas pessoas elevados à genealidade. Essa semana o mundo perdeu uma grande bailarina e pioneira numa nova cara do teatro contemporâneo; ao meu ver, também uma artista bastante genial :(
    Postei lá no meu blog sobre ela...

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