quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Só os ignorantes são felizes


Por uns dias atrás estive na Fnac; sou capaz de ficar horas a fio dentro daquele lugar, folheando os livros, vendo os dvds, cds, eletrônicos.... pra uma nerd como eu, aquele lugar é o paraíso!
Bem mas neste dia, pude ler, entre tantos livros que folheei um sobre Inteligência Emocional... existia um capítulo naquele livro que dizia que crianças que não são amparadas motivadas pelos pais mudam o foco para a escola, a fim de ter algum reconhecimento. Geralmente são crianças geniais, que se dão muito bem na escola mas que se tornam adultos infelizes pois, na verdade, tudo o que buscam é o reconhecimento de seu empenho e muitas vezes, diferente da escola, onde este reconhecimento vem por meio de notas e aprovações, na vida real, geralmente o reconhecimento é menos palpável ou até mesmo inexistente.
Me enxerguei naquele perfil.
Cresci sozinha, sendo observada pelos meus irmãos, que eram adolescentes e portanto sem maturidade nenhuma para suprir, o que meus pais, necessitados de trabalho e com tempo escasso não davam.
Lembro-me de que quando meus pais se separaram, todos ficaram abalados e eu afundei minha cabeça nos livros - aquele ano foi o melhor ano, até então, de minha existência na escola... fechei todas as disciplinas com nota máxima e recebi uma homenagem ao final do ano pelo meu desempenho.
Mais tarde, ao sofrer minha primeira decepção amorosa, também mergulhei com tudo a minha cabeça nos estudos a fim de passar no vestibular... aquilo mantinha minha cabeça ocupada e eu seria recompensada pelo meu esforço com uma aprovação... mais uma, que de fato ocorreu...
Sinto que durante toda a minha vida, sempre me utilizei desse canal para suprir uma deficiência de afeto em alguns momentos.
Lógico que isso gerou frutos... a percepção que as pessoas tem de mim é que sou uma mulher genial, com uma "puta bagagem", muito inteligente... e por isso não são dignas de estarem comigo.
De novo, isso acontece em minha vida... e sinto que a culpa é minha por deixar transparecer uma imagem que não corresponde o que eu sinto de verdade.
A verdade é que todo mundo quer ser aceito... e eu também quero.
Quero poder amar alguém livremente e deixar que esta pessoa tenha total liberdade para me amar.
Eu nunca imaginei que este caminho, que escolhi lá atrás, quando tinha uns 8 anos, fosse interferir tanto na minha vida afetiva como tem interferido. Eu, definitivamente, não tinha nenhuma intenção de afastar as pessoas de mim ao escolher este caminho... ao contrário... queria que as pessoas sentissem orgulho de mim, e que se sentissem bem por estar ao meu lado, que gostassem de compartilhar comigo as suas experiências sem verificar se elas são mais importantes que as minhas ou não... apenas compartilhar.
No alto dos meus 38 anos, vejo que valores que eu levei uma vida inteira para construir devem ser reavaliados... o problema é que posso sim, reavaliar, mas não consigo jogar fora a bagagem que possuo... não dá...porque está aqui dentro e eu não tenho como emburrecer...
Ao olhar pra aquela menina de oito anos, com uma vida miserável, pais alcoólatras, briguentos, que a consideravam mais uma em casa; lutando apenas para ser notada, abraçada sinto pena... porque seu eu pudesse, me abaixaria até ela e lhe falaria para não tentar uma fuga, mas pra mergulhar nos problemas, vivê-los, porque abraçando os livros você estará deixando cair dos seus braços, seus sonhos comuns... eles irão fugir de você pra sempre. As pessoas vão se afastar de você, porque sem querer, com estes livros você, menina, vai criar uma muralha bem alta em torno de si... e o máximo que as pessoas vão ver de você, é o conteúdo dos livros...
Digito este texto hoje com a mesa cheia de livros e o coração vazio de afeto.
É isso...

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